Chega de mascaras, estou cansada.
Cansada de fingir que nada faz mossa, que nada magoa, e que nada tem impacto nesta capa de Rei Leão que eu criei.
Chega de tentar-me convencer de que não faz mal morrerem expectativas, esqueço-me é que morrem também pedaços de mim. Pedaços de outros tempos, de outras aventuras, de outros corações.
Morrem pessoas, sonhos, e futuros que criámos na nossa cabeça. O pano baixa e é como se mudasse de cena, estou no mesmo sitio, sou a mesma pessoa, só não tenho os mesmos adereços e também mudaram os parceiros de palco.
Há sempre algo de bom em tudo, é a mais pura das verdades, mas não vamos também ver em tudo só uma nota. Porque quem vive a vida com emoção sabe que não é assim, a palete é diversa e não só a brancos e pretos.
Neste processo chega sempre o dia em que tu pensas, não, vamos mudar isto, ainda estamos a tempo, vamos fazer uma pausa como quando éramos crianças, lembras-te? Quando jogávamos a um jogo qualquer e havia o coito. Eu quero isso, um “coito” da vida. De ti, de nós.
O dia chegou hoje, e ao ver-te o meu coração gritou de raiva, chorou de saudade e amuou de rancor. Se soubesses o que magoa, como magoa, todos os dias… Mas porquê? Pergunta-me a razão, porque sim, responde o coração. Porque precisamos do luto, da despedida, do afastamento e até do ódio para nos livrar-mos de um amor que achámos que ia ser pra sempre. E não é, nunca são. Diz-me a intuição que será sempre assim, é como se precisasse constantemente e novos inputs, de novas pessoas e de mostras de um caminho que quero seguir e que estas pessoas constroem por mim, comigo. Os outros caminhos ficarão para sempre no meu coração, na memória, na intimidade, na troca de palavras quase inexistente porque pura e simplesmente não era preciso. Eu achei que era importante, que fazia sentido pra ti também, achei que o ia ser pra sempre, mas há sempre alguém que toma o teu lugar, não te iludas, são ocasiões, momentos, são timmings.
São processos difíceis, são vidas, são mortes, são perdas e celebrações, são conquistas sem audiência, são parabéns que não foram dados e são teatros criados na minha cabeça, são apoios que achaste lá estarem, são o futuro que criei contigo, hoje sem futuro nenhum.
Que se lixe a fortaleza, que se lixe a sapiência, o “all is well” a compreensão e a tolerância.
QUE SE LIXEM, VÃO TODOS BARDAMERDA.
Há acontecimentos na vida que só vale sentar e chorar, nem que o motivo seja por perderes a tampa de uma caneta, senta-te e chora a perda. Ponto.
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